Não há espaço para notícias de suicídios na Rede Ilha FM; entenda porquê | Rede Ilha FM
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2 de ago. de 2019

Não há espaço para notícias de suicídios na Rede Ilha FM; entenda porquê

Não há interesse à Rede Ilha FM aumentar a audiência diante de uma situação tão grave, que envolve vidas humanas. É fato comprovado que a divulgação estimula a morte de suicidas potenciais. (Foto: Reprodução)

A Rede Ilha FM evita a publicação de notícias de suicídios.

Os portais que pertencem à Rede Ilha FM segue a linha da maioria dos jornais do Brasil e do mundo, que tem um acordo informal para não divulgar suicídios.

Por quê?

Em grande parte das redações é recomendado aos jornalistas que evitem ao máximo a divulgação desses casos. Há hipóteses de que qualquer notícia sobre o tema pode vir a ser o estopim de uma série de outros atos semelhantes.

Com o advento das redes sociais e o aumento dos usuários que veem a internet como espaço de “liberdade de expressão”, vemos diariamente a falta de respeito dos seres humanos, vorazes para dar uma notícia “quentinha”. “Aconteceu uma coisa ali, deixa eu postar no meu Facebook ou mandar para uma página ou blog”. Mesmo que o que tenha acontecido seja um suicídio.

Entretanto, profissionalmente falando, não é bem assim que funcionam os jornais. Ou pelo menos não é como deveriam funcionar quando o assunto é suicídio. Existe uma convenção profissional extraoficial, uma espécie de acordo seguido pelos manuais de redação de grandes jornais que determina: suicídios não serão noticiados pela imprensa. Tanto pelo respeito à dor e à privacidade da família, que muitos veículos optam por não expor um momento tão delicado para a opinião pública, quanto pela ética jornalística – uma questão moral de incentivo a novos casos.

O sociólogo francês Émile Durkheim (1977) já abordava o suicídio como uma manifestação individual de um fenômeno coletivo e cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias. As razões dos suicidas seriam processadas individualmente, mas sempre de modo a refletir uma realidade social.

Sabemos que, noticiados ou não, suicídios não deixarão de ser praticados. O compromisso da imprensa é com a realidade. O bom senso e o bom gosto devem ser manifestados na linguagem editorial adotada por cada veículo para noticiar determinados acontecimentos. Em seu estudo sociológico sobre o suicídio, Durkheim (1977) também aponta a possível relação entre noticiar suicídios e estimular novos casos. De acordo com o pesquisador, só há imitação se existir um modelo que possa ser imitado: sem uma fonte, não há contágio.

O jornalismo não existe somente para noticiar fatos. Seu papel vai além – o de informar no sentido de instruir a população, de construir uma forma de pensar e proporcionar um compartilhamento de informações e experiências, promovendo debate e maior compreensão sobre temas sociais.

A REDE ILHA FM busca sempre abordar campanhas sociais de conscientização – como o setembro amarelo, sobre a prevenção do suicídio, por exemplo – com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade, oferecendo informações e incentivando um debate sobre como auxiliar pessoas com tendências suicidas, como superar a perda de uma pessoa querida por suicídio ou como relações familiares e escolares podem influenciar crianças e adolescentes a pensarem em suicídio em decorrência de uma pressão social. Isso, sim, tem um papel social que vai além de noticiar o fato em si e reflete a verdadeira missão de um jornal.

Face ao exposto, alguns de nossos leitores e ouvintes questionam nossa posição quanto à divulgação de casos de suicídios, mas, apesar de serem recorrentes na sociedade pauloafonsina, em respeito ao jornalismo e a ética, não divulgamos tais casos, exceto em casos excepcionais, pela notoriedade dos envolvidos ou pelo interesse público das razões que o levaram ao ato.


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