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23 de jul de 2019

Líder conservador de direita é eleito premiê do Reino Unido

Boris Johson deve ser anunciado nesta quarta-feira (Foto: Neil Hall/EFE)

O deputado britânico Boris Johnson, de 55 anos, é o novo líder do Partido Conservador e deverá se tornar primeiro-ministro do Reino Unido nesta quarta (24/07), substituindo sua correligionária Theresa May.

O resultado da eleição interna (restrita a membros da legenda) foi anunciado na manhã desta terça (23/07). Ele teve 66% dos votos, contra 34% de Jeremy Hunt, seu rival na disputa final. Participaram apenas pessoas filiadas ao Partido Conservador.

Ex-ministro das Relações Exteriores e ex-prefeito de Londres, entre 2008 e 2016, Johnson derrotou o atual chanceler, Jeremy Hunt, na etapa final da disputa.

Segundo o protocolo, May deve ter uma audiência com a rainha Elizabeth 2ª na tarde de quarta para entregar seu cargo e recomendar Johnson como sucessor.

Conhecido pelo estilo informal, pelas gafes e por projetos frívolos e onerosos, o deputado ascende à chefia de governo com a promessa de solucionar a maior crise da política britânica em décadas: como levar a cabo o brexit, a saída da União Europeia, decidida em plebiscito há mais de três anos.

Durante a campanha, ele garantiu que, uma vez eleito, tiraria Londres do bloco em 31 de outubro (já a terceira data-limite para a separação, após dois adiamentos) acontecesse o que fosse.

Isso quer dizer que o novo líder não descarta o chamado “brexit duro”, sem um acordo com a UE que prevê, entre outras coisas, uma fase de transição para que os dois lados se acostumem com o novo status da relação.

Nos últimos dias, Johnson recebeu sinais de que enfrentará oposição, inclusive de alas moderadas de seu partido, se optar pela via da ruptura. O Parlamento manobrou para dificultar a suspensão temporária de suas atividades pelo Executivo.

O temor é de que ele use um recesso para passar por cima dos deputados e impor uma saída não negociada. O Legislativo rejeitou três vezes o acordo proposto por May e, quando instado a propor solução alternativa, não chegou a qualquer consenso. Mas se há um entendimento consolidado na Câmara, é o de que a despedida britânica da UE não deve ser abrupta.

Em paralelo, vários ministros do governo May anunciaram que deixariam seus postos caso a vitória do ex-chanceler se confirmasse, entre eles Philip Hammond, o titular das Finanças, e David Gauke, o da Justiça.

Tanto críticos como apoiadores aguardam as primeiras nomeações ministeriais de Johnson e seu discurso inaugural para definir seus próximos passos, mas ele deve gozar de toda forma de uma espécie de “salvo-conduto” até o começo de setembro, quando o Parlamento volta de seu recesso de verão.

De seu lado, a União Europeia estaria pronta para oferecer ao chefe de governo uma “extensão técnica” do prazo-limite para o brexit, a fim de que ele tenha tempo de buscar uma modalidade que agrade ao Parlamento. Mas o adiamento também poderia ser vendido em casa como período extra de preparação para uma separação sem pacto.

Afora o brexit, que sugou a vida política britânica nos últimos três anos, Johnson terá que encontrar uma saída rápida para a atual crise com o Irã, que apreendeu um cargueiro de bandeira britânica na semana passada no estreito de Ormuz em retaliação pelo confisco de uma embarcação de Teerã no começo de julho.

O pano de fundo aqui é a saída dos EUA, sob Donald Trump, do acordo para o controle da produção de energia nuclear pelo Irã. Desde o ano passado, Reino Unido, França e Alemanha tentam salvar o pacto.

*Com Folhapress
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