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30 de jul. de 2019

46 detentos envolvidos em confronto que terminou com 57 mortos serão transferidos

Dos 16 líderes identificados, dez irão a presídios federais (Foto: Reprodução)

O governo determinou a transferência de 46 detentos envolvidos no confronto que terminou com 57 mortos no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Pará. As mortes foram resultados de uma briga entre as facções Comando Vermelho e Comando Classe A, que disputavam por território dentro do presídio, nesta segunda-feira (29/07).

O governador do Pará ressaltou que, antes deste episódios, mais de 30 líderes de grupos criminosos já tinham sido transferidos para unidades prisionais de outros estados. Helder Barbalho lamentou o ocorrido e afirmou que continuará com os esforços para acabar com a violência.”Agora, com esse episódio ocorrido, continuaremos agindo firmemente para demonstrar o poder do Estado e acima de tudo não pactuar com esse tipo de procedimento”, disse.

De acordo com uma decisão tomada entre Barbalho e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, dez dos 16 identificados como líderes das facções criminosas que comandaram o ato irão para o regime federal. O restante será redistribuído pelos presídios do Pará.

Pouco tempo depois que o governo informou a transferência, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, reforçou que Sergio Moro acompanha de perto a situação em Altamira. Ele também afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) associa-se à percepção do ministro da Justiça. “O ministro Sergio Moro lamentou as mortes e determinou a intensificação das forças de inteligência e que a Força Nacional fique de prontidão”, disse.

Relembre

A rebelião começou as 5 horas da manhã desta segunda-feira (29), quando líderes do Comando Classe A colocaram fogo em uma cela de integrantes do Comando Vermelho. Segundo a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará, a unidade tem estrutura de alvenaria e por isso, as chamas se alastraram rapidamente.

Dos 57 mortos, 16 detentos foram decapitados e 41 morreram por asfixia ao inalar a fumaça gerada pelo fogo. Os presos que iniciaram a briga não fizeram uso de arma de fogo, apenas facas improvisadas.

Condições do presídio

Até a segunda-feira, a unidade prisional era ocupada por 343 detentos. Há divergências quanto à capacidade das instalações: enquanto o governo do Pará diz que cabem 200, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirma que o presídio tem lugar para 163 detentos.

O superintendente da Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe), Jarbas Vasconcelos, descartou que há superlotação na unidade, mas pontuou que aguarda a conclusão das obras de uma nova prisão, com expectativa de entrega em dezembro.

Já uma inspeção feita pelo CNJ concluiu que o Centro de Recuperação de Altamira está, sim, com um número muito superior a capacidade. O Conselho expediu um ofício para ter acesso à situação do sistema prisional do estado e pediu a criação de um Gabiente de Crise para gerenciar os desdobramentos dos fatos.

A Susipe informou que uma unidade de atendimento médico e psicológico foi montada na entrada do presídios para dar suporte aos familiares no momento de confirmação dos nomes.
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