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1 de dez de 2017

Brasil ainda patina para impedir o contágio pelo vírus HIV

O número de novos casos de Aids subiu 3% entre 2010 e 2016. São 40 mil por ano. Na contramão do que é registrado no planeta. No período, a taxa global caiu 11% (Foto: Marcelo Camargo)

Hoje o perfil do portador do vírus HIV é formado por jovens, homossexuais e trans. Guarda muitas semelhanças, portanto, ao observado no início da década de 80 quando médicos só sabiam, até ali, que quem contraía o vírus assinava também uma sentença de morte.

“Criou uma certa ilusão de que a Aids seria um problema já resolvido ou em fase de resolução, até como efeito ou contra efeito dos bons resultados que o Brasil alcançou, mas isso é uma ilusão”. E quando o Veriano Terto Jr, vice-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, fala em tratamento, se refere a um dos paradoxos da questão.

De fato, o Brasil se aproxima de metas da ONU para controle de HIV até 2020. O último relatório do Ministério da Saúde aponta que 84% das pessoas diagnosticadas com o vírus estão sob cuidados.

As terapias antirretrovirais evoluíram muito. O País também é o que mais compra e distribui preservativos no mundo.

No entanto, o número de novos casos de Aids subiu 3% entre 2010 e 2016. São 40 mil por ano. Na contramão do que é registrado no planeta. No período, a taxa global caiu 11%.

Os dados são da UNAIDS, órgão das Nações Unidas para lidar com a epidemia, interpretados aqui pela Diretora do órgão no Brasil, Georgiana Braga-Orillard: “nós precisamos ver que como sociedade não conseguimos trazer as lições aprendidas na geração passada para essa geração”.

Outro aspecto que pode até parecer um contrassenso é o crescimento do número de casos de HIV entre pessoas acima dos 50 anos, que dobrou na última década. Atualmente cerca 80% dos adultos entre 50 e 90 anos são sexualmente ativos. Muitos não usam preservativo.

Há ainda um último aspecto: O do soropositivo vítima da AIDS na juventude e que chegou a terceira idade graças aos antirretrovirais. A primeira geração de idosos soropositivos.

Pesquisas recentes dizem que o HIV faz o corpo envelhecer quase cinco anos a mais. No entanto, Veriano Terto Jr, vice-presidente da ABIA, explica que a medicina e o estilo de vida hoje são capazes de permitir que um portador do vírus morra de “velhice”: “sem dúvida, com tratameto adequado, boa adesão ao medicamento e cuidados físicos, a gente conseguiria atingir metas de longevidade muito semelhantes às soronegativas”.

O Dia Mundial de Luta contra a Aids foi criado há exatos 30 anos durante a Assembleia Mundial de Saúde, da Organização Mundial de Saúde.

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