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12 de jun de 2017

Donos venderam R$ 10 mi em ações da JBS antes de divulgação da delação

MPF e CVM investigam operações de ações e câmbio pela JBS e controladores; JBS comprou 7 mil contratos de dólar no dia 17 - no ano, compra diária nunca superou 2 mil contratos. (Foto: Reprodução/SCO/STF)

Na véspera da divulgação do acordo de delação premiada que fecharam com o Ministério Público Federal, os acionistas controladores da gigante de alimentos JBS venderam R$ 10 milhões em ações da companhia, evitando perdas de pelo menos R$ 1 milhão. As informações são do Jornal Folha de S.Paulo.

No dia 16 de maio, eles negociaram 985 mil papéis da empresa a R$ 10,11 cada. Os controladores da JBS são a FB Participações, holding da família Batista, e o Banco Original, que também pertence aos fundadores da empresa.

A delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista foi revelada pelo jornal "O Globo" no fim da tarde do dia seguinte, após o fechamento da Bolsa de São Paulo. Em 18 de maio, as ações da empresa desabaram 10,5%. Desde então, elas perderam 23,4% do seu valor. Na sexta­feira (9), a ação da JBS estava cotada a R$ 7,28.

Ao negociar suas ações na véspera do anúncio da delação premiada, os controladores da JBS evitaram uma perda equivalente a R$ 1 milhão, que teriam sofrido se vendessem os papéis pelos preços mais baixos dos dias seguintes.

Os donos da JBS também venderam ações da empresa no dia 17, mas nesse momento as vendas foram acompanhadas de recompras das ações. As operações praticamente se anularam: as vendas somaram R$ 35,1 milhões, e as compras, R$ 35,6 milhões.

Nos últimos três dias de maio, em meio aos desdobramentos da crise política provocada pela delação dos Batista, os donos da JBS voltaram a se desfazer de ações da companhia, vendendo o equivalente a R$ 105 milhões.

As transações foram reveladas pelos controladores da JBS num informe enviado no sábado (10/06) à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que exige prestação de contas semelhante de todas as empresas de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa.

A Polícia Federal e a CVM investigam operações feitas pelos donos da JBS com ações e no mercado de câmbio antes da divulgação da delação. A suspeita é que eles tenham feito uso indevido de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro.

Em abril, os controladores da JBS venderam o equivalente a R$ 242 milhões em ações da empresa, a primeira operação desse tipo em mais de um ano. Na ocasião, os irmãos Batista já haviam fechado o acordo de delação premiada com os procuradores.

Em nota neste domingo (11/06), a JBS disse que todas as operações realizadas pela empresa e seus controladores no mercado financeiro seguiram a lei, e que o grupo está cooperando com as investigações. Em manifestação enviada na semana passada por seus advogados à 5ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, como resposta a uma ação popular apresentada contra a empresa, a JBS afirma que as operações na Bolsa fazem parte de um programa de recompra de ações executado com conhecimento da CVM.

O objetivo do programa é valorizar as ações da empresa e oferecer liquidez a investidores que querem deixar a companhia, afirmam os advogados da JBS. Segundo eles, ninguém na empresa além dos irmãos Batista e dos outros cinco funcionários que viraram delatores sabia do acordo de delação premiada, e nenhum deles soube antecipadamente quando ele seria divulgado pela Justiça.


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