Temer completa um ano de governo: veja os erros e acertos do presidente da República | ilha FM - Paulo Afonso
últimas Notícias

12 de mai de 2017

Temer completa um ano de governo: veja os erros e acertos do presidente da República

12 de maio: um ano de Governo Temer repleto de propostas de reformas, nomes do primeiro escalão citados em investigações e alguns acertos; confira (Foto: Reprodução/EFE)

Nesta sexta-feira (12/05) completa-se um ano desde que Michel Temer foi notificado do afastamento da (agora ex) presidente Dilma Rousseff. Por volta das 11h30 do dia 12 de maio de 2016, Temer se tornou presidente interino enquanto durou o processo de impeachment. Mais tarde, em 31 de agosto, com o processo encerrado e julgado, o peemedebista virou, definitivamente, o presidente da República.

Desde o início de sua interinidade muitas polêmicas tiveram início. Já em sua primeira aparição como interino, muita controvérsia: uma equipe 100% masculina e branca – e, logo de início, sete dos 22 primeiros ministros apresentados eram citados em investigações da Lava Jato.

Mas em uma coisa Temer acertou logo de cara: a equipe econômica “dos sonhos”. Equipe que é vista, um ano depois de seu anúncio, como um dos principais acertos do presidente.
Para rever um pouco de como foi o mandato de Temer de sua interinidade até agora, separamos algumas áreas que merecem uma atenção especial e conversamos com especialistas para saber: o que Temer errou e o que ele acertou?

Bons nomes na equipe econômica

A opinião entre os especialistas é unânime. Um dos principais acertos do Governo Temer é a escolha da equipe comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

“O que o mercado cobrava muito do Governo era uma maior clareza e objetividade no combate à inflação e juros altos, que é o que essa equipe, na figura do Meirelles, está conseguindo fazer”, diz o cientista político Valdir Pucci.

Para outro especialista, o principal acerto na economia tem a ver com o diagnóstico implementado nas suas políticas e que, de alguma maneira, está por trás da equipe bastante gabaritada que Temer conseguiu desenvolver. Rafael Cortez destaca: “o diagnóstico é correto”.

Mas o Governo errou? Para ambos, o erro nem é tanto do Governo. Pucci, por exemplo, avalia que o Banco Central poderia conduzir a queda da taxa de juros em uma mesma constante da queda inflacionária.

Michel Temer junto com sua equipe econômica. (Foto: Beto Barata/PR)


Reformas impopulares e necessárias?

PEC que limita os gastos públicos, reformas do Ensino Médio, trabalhista e previdenciária. Além de lidar com a impopularidade, Temer ainda conta com a insatisfação de parcela da sociedade que, além de não aceitá-lo como presidente legítimo, nega que as reformas propostas pelo Governo tenham efeito benéfico à sociedade.

Cortez avalia que, do ponto de vista das reformas econômicas, os acertos foram significativos, e o presidente “trouxe questões congeladas do debate público”. Pucci segue na mesma linha e acrescenta o fato de que o peemedebista consegue, de uma maneira mais fácil, lidar com o Congresso Nacional e, assim, aprovar medidas tidas como polêmicas.

A rejeição para algumas reformas, na avaliação de Rafael Cortez, é que o Governo de Michel Temer surgiu após um processo traumático do impeachment de Dilma.

Ponto fraco: comunicação

Assim como a equipe econômica é um ponto positivo unânime ao Governo, há também um consenso no que diz respeito à fraqueza da gestão do presidente: a comunicação.

“Na parte da comunicação, o Governo não acertou em momento algum. Se formos pensar, desde a escolha do slogan, quando se noticiou que foi escolhido por seu filho, além de aparições e discursos, vemos, claramente, que o presidente não consegue. Ele é um bom político de bastidor, mas tem uma grande dificuldade de se comunicar com a sociedade”, diz Pucci.

Para o cientista político, as constantes falhas na comunicação do Governo devem-se ainda a uma má assessoria. “Você que a própria assessoria não tem a preocupação de dar um resguardo ao presidente na condução da sua imagem e do seu discurso”.

Rafael Cortez concorda e destaca que este talvez tenha sido o campo no qual a Presidência enfrentou mais desafios e fez escolhas que não tiveram um saldo positivo. “Problema do Governo não é propriamente um problema de inabilidade retórica ou falta de postura. Me parece que é realmente uma definição da agenda do Governo, de posições pessoais, que têm dificultado popularizar alguns temas. O Governo usa linguagem por vezes muito rebuscada, e mais acessível a uma parcela minoritária da sociedade”, explica.

“Temer não tem o tom para a exposição maciça que a figura do presidente tem que ter, mas, ao mesmo tempo, nem todos nascem com essa capacidade. Creio que se tivesse uma assessoria melhor, uma preocupação maior dessa imagem, um media training melhor, ele poderia diminuir esse desgaste que ele causa na sua comunicação com a sociedade”, completa Valdir Pucci.

Michel Temer em pronunciamento, neste ano, no Palácio do Planalto. (Foto: EFE)


Equipe ministerial alvo de investigações

Desde a apresentação de sua equipe ministerial, no primeiro de sua posse como interino, o presidente Michel Temer vem recebendo críticas. Entre os nomes na sua equipe, alguns foram criticados por políticos, analistas e sociedade civil.

Alguns deles foram recentemente citados na famosa lista de Fachin, como Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Helder Barbalho (Integração Nacional), Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Blairo Maggi (Agricultura), Bruno Araújo (Cidades), Roberto Freire (Cultura) e Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

“Em relação à equipe econômica ele acertou. Mas do restante dos ministérios ele cometeu um erro muito grave que foi o de não estar atento ao momento pelo qual passa a política brasileira. A gente nem entra tanto na parte técnica do ministério, que também não é observada, mas principalmente a questão de escolher e manter no Governo pessoas envolvidas ou investigadas na Justiça”, explica Valdir Pucci.

Cortez alerta para outro ponto importante e que foi bastante criticado por alas femininas no Congresso: “não houve nomeação para quadros mais importantes de mulheres, e isso é um tema que a sociedade se mobiliza muito”.

“A opção por esses nomes foi muito mais tendo em vista o apoio à agenda econômica do que responder aos desafios de renovação da classe política e de proteger o Governo da agenda negativa da Lava Jato. Não é por acaso que houve uma série de mudanças no curto prazo”, destaca Rafael Cortez. “Por um lado, foi um acerto no sentido de dar reforço a base aliada, mas isso também contribuiu para a rejeição”, completa.

Temer dá posse a novos ministros em março deste ano. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)


Dados negativos do mercado de trabalho

Com uma alta de 13,7% no trimestre de janeiro a março deste ano, o Brasil teve a maior taxa de desocupação da série histórica, que teve início em 2012. Neste primeiro trimestre, existiam 14,2 milhões de desempregados no País, outro recorde da série histórica.

Mas por qual motivo, com uma equipe econômica boa, o Governo não conseguiria recuperar os dados do mercado de trabalho? A resposta para isso está na máxima defendida por economistas: quando um país começa a se recuperar, a última coisa a voltar à normalidade é o emprego.

Na avaliação dos cientistas políticos ouvidos pela reportagem, um crescimento econômico leva a uma tendência para que a situação da empregabilidade volte a um patamar melhor. “O desemprego aumentando no seu período ainda é um retrato de ajuste do mercado de trabalho a um processo de recessão que se estabeleceu”, diz Cortez.

“Mas não é apenas o crescimento econômico que influencia no emprego, você tem outros fatores de modernização da economia que também podem influenciar. O Governo não pode só focar nisso. Ele deveria ter aproveitado esse primeiro momento e ter discutido além de uma retomada econômica também medidas para reinserir as pessoas no mercado de trabalho de forma qualificada”, pondera Valdir Pucci.

Mais de 14 milhões de brasileiros estão sem emprego. (Foto: Fotos Públicas)


Temer é impopular e sabe disso

“Um Governo com popularidade extraordinária não poderia tomar medidas impopulares (...) Estou aproveitando a suposta impopularidade para tomar medidas impopulares”, disse o presidente em café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada no dia 22 de dezembro. Antes disso, em setembro, Temer disse que se ficasse impopular, mas o Brasil crescesse, ele se daria por satisfeito. 

Em resumo: Temer sabe que é impopular e se utiliza de tal para avançar em reformas polêmicas, por exemplo.

Valdir Pucci destaca ainda que dois pontos devem ser levados em consideração. O primeiro é de que o peemedebista nunca foi um político “popular” e chegou ao poder após um processo de impeachment, o que dificulta no processo de sua aceitação. O segundo ponto é a já discutida falha na comunicação.

“A tendência é que a popularidade do presidente continue no solo. Ela não deve aumentar, e se aumentar será muito pouco daqui até o fim do Governo”, avalia.

Ampla base governista, mas nem sempre fiel

Recentemente o presidente teve de cobrar fidelidade de sua base na importante votação da reforma previdenciária, uma de suas maiores apostas no Governo. Mas não é dúvida de que a base de Temer é maior que a de Dilma Rousseff.

Para Rafael Cortez, sua ampla base deve-se não apenas ao status de ser um peemedebista – partido com grande número de congressistas -, mas sim à tarefa central de um presidente em um sistema de presidencialismo por coalizão, que é a formação de maiorias. “Não há governabilidade, funcionalidade no sistema sem a obtenção de maiorias”.

Ajuda também o fato de que Temer já foi congressista (deputado federal por São Paulo de 1987 a 1991 e de 1994 a 2010, além de presidente da Câmara dos Deputados de 1997 a 2001 e, mais tarde, de 2009 a 2010, quando deixou o cargo para ser vice na chapa eleita com Dilma, que assumiu em 1º de janeiro de 2011).

“Facilita a negociação. Essa base que ele tem hoje não é apenas fundada por partidos ideologicamente unidos, mas principalmente é uma base que nasce dessa certeza que Temer tem da necessidade de sempre negociar com o Congresso. É o que Dilma não fazia, ela tinha tendência maior em confrontar do que entrar em diálogo”, relembra Pucci.

Temer tem um melhor relacionamento com o Congresso do que o que tinha sua antecessora. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)


E, por fim, o que será preciso para 2018 ser um ano melhor ao presidente?

Aqui, mais uma opinião unânime: retomada econômica.

“A primeira coisa que precisa acontecer para ele é haver retomada do crescimento econômico, nem que seja mínima. Um crescimento constante. Se ele conseguir atingir esse patamar, ele terá um maior sossego em 2018”, acredita Pucci.

Cortez acrescentou a isso ainda um ciclo de aprovação das reformas necessárias, em especial a da Previdência. “O desafio do Governo é gerar algum ganho para que, aos poucos, a sociedade comece a ficar mais aberta às mensagens ligadas aos líderes do Governo, em especial de Temer. Para assim, ele construir no eleitorado e na sociedade a percepção dos ganhos, muito embora com muitos desafios da transição, ganhos frutos dos esforços que a sociedade tem feito a partir de sugestão da agenda governamental.


« PREV
NEXT »

Nenhum comentário

Postar um comentário