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7 de nov de 2016

Surto de microcefalia cresce no Rio e em São Paulo

Mãe segura filho que nasceu com microcefalia, no hospital IMIP no Recife (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Há um ano o Ministério da Saúde emitia um alerta inimaginável até mesmo para os maiores infectologistas do país. Em uma portaria publicada no dia 11 de novembro de 2015, o Brasil decretava emergência em saúde pública por causa de um surto de microcefalia causado por um vírus recém-descoberto em território nacional. Desde então, 2.079 casos da má-formação foram confirmados e outros 3.077 seguem em investigação, a maioria no Nordeste.

Passado o baque inicial e sem a pressão dos holofotes internacionais, esforços prometidos pelos governos para barrar novos casos da doença e amparar as famílias com bebês vítimas da má-formação parecem ter sido insuficientes. Pela primeira vez, a epidemia de microcefalia ganha força no Sudeste, com aumento expressivo de casos confirmados no Rio e em São Paulo nos últimos meses, conforme apontam dados inéditos tabulados pela reportagem a partir de estatísticas do Ministério da Saúde.

Enquanto Recife, epicentro da crise inicial, vive estagnação nos registros – 64 até agora -, o Rio já é a capital com a maior tendência de alta, ocupando a segunda posição no ranking de municípios com mais casos confirmados (110). No Estado de São Paulo, o número de crianças com microcefalia comprovada triplicou entre agosto e outubro, passando de 14 para 46. Juntos, os dois Estados têm ainda 700 registros da má-formação em investigação.

ida conquistada. Quanto mais cedo fossem iniciadas as terapias de estimulação, melhores as condições de desenvolvimento da criança com microcefalia, repetiam os médicos logo que a epidemia foi descoberta. As histórias acompanhadas pela reportagem reforçam o impacto que uma boa assistência multidisciplinar – ou da falta dela – tem no destino de cada criança.

Apesar do esforço dos profissionais de saúde e de instituições filantrópicas no atendimento aos bebês já afetados e de todas as forças-tarefa montadas por pesquisadores para tentar entender e barrar a nova ameaça, as primeiras vítimas dessa emergência parecem ter, ao longo do último ano, caído no esquecimento. Para bebês como Matheus, que tiveram condições econômicas para buscar um tratamento adequado, os bons resultados começam a aparecer. Já para aqueles que dependem exclusivamente dos serviços públicos para ter a oportunidade de superar as limitações, como Pérola, Alessandro e Laura, resta torcer para que o descaso sofrido no primeiro ano de vida fique no passado a partir de agora.

(Com Estadão Conteúdo)


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