Isaquias se desdobra após largar atrás e conquista o bronze em prova tensa | ilha FM - Paulo Afonso
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18 de ago de 2016

Isaquias se desdobra após largar atrás e conquista o bronze em prova tensa

Isaquias Queiroz festeja o bronze ainda dentro d'água (Foto: Damien Meyer / AFP)

Isaquias Queiroz já estava eternizado na história da canoagem velocidade ao, conquistar na terça-feira, uma prata no C1 1000m, primeira medalha brasileira nessa modalidade em Jogos Olímpicos. Mas ele sabia que podia mais. Nesta quinta-feira (18/08), ele pode bater com força no peito e dizer que, aos 22 anos, já tem mais uma para sua coleção. 

Nessa categoria, diferentemente da primeira da qual participou na Olimpíada do Rio 2016, a tensão tomou conta de quem esteve no Estádio da Lagoa Rodrigo de Freitas. Depois de uma largada ruim, o atleta baiano chegou a figurar na última posição, mas conseguiu se recuperar à base da resistência. Não bastasse isso, ele ainda foi parar dentro d'água no finzinho, depois de projetar o corpo para trás para ganhar o máximo de tempo na chegada. O suspense pairou no ar para saber se a queda aconteceu antes ou após a linha de chegada. Isaquias demorou a aparecer na superfície. Os olhares da torcida se fixaram no telão. O resultado demorou a sair, deixando o público com o grito preso na garganta. Mas a confirmação do bronze na decisão do C1 200m deixou os presentes em êxtase.

Depois do drama, a festa. Isaquias subiu ao pódio sambando (assista ao vídeo acima). Na saída, improvisou uma "volta olímpica", correndo e batendo nas mãos dos torcedores. O desejo inicial era o ouro, mas a comemoração do bronze foi do tamanho que o feito merece. Ele agora está no seleto grupo de apenas cinco brasileiros com duas medalhas na mesma edição de Jogos Olímpicos.

A medalha de ouro ficou com Iurii Cheban, campeão olímpico nessa mesma prova em Londres 2012. O ucraniano cravou o tempo de 39s279, melhor tempo dessa categoria na história da Olimpíada, superando a marca de Isaquias da semifinal (39s659). Não dá para dizer que é um recorde, pois eles não são contabilizados na canoagem velocidade devido à diferença de características entre as lagoas, como o vento, por exemplo.

Valentin Demyanenko, do Azerbaijão, ficou com a prata (39s493). O bronze do brasileiro foi confirmado com o tempo de 39s628, e o quarto colocado que, como Isaquias, foi parar dentro d'água logo após a linha de chegada, foi o espanhol Alfonso Benavides, com 39s649.

- Um pouco decepcionado com a minha prova, porque se eu tivesse feito a prova de ontem teria sido de ouro. Mas está bom, melhor do que nada, que seja bem-vinda. Todo mundo sabe que minha saída é um pouco ruim, e minha chegada é melhor. Perdi muito tempo na saída. No final, tentei me recuperar e vi que tinha muita gente na minha frente.  Quando eu cheguei achei que não tinha ganhado, mas eu vi demorando para caramba e pensei: "Com certeza, ganhei medalha" - falou Isaquias Queiroz logo após a prova.

Com o feito desta quinta-feira, Isaquias Queiroz entrou para um grupo com outros quatro nomes de peso. César Cielo, nadador, levou ouro (50m livre e bronze (200m livre) em Pequim 2008. Gustavo Borges, também da natação, foi prata (200m livre) e bronze (100m livre) em Atlanta 1996; Guilherme Paraense (ouro e bronze) e Afrânio da Costa (prata e bronze), ambos atletas de tiro esportivo, foram ao pódio em dose dupla na Antuérpia 1920.

Isaquias Queiroz ainda tem mais uma chance de medalha para o Brasil e, se conseguir, será o único esportista brasileiro a subir ao pódio três vezes em uma só edição olímpica. Trata-se do C2 1000m, onde compete juntamente com Erlon Souza. Os dois são atuais campeões mundiais e, teoricamente, essa é a melhor prova do baiano, já que o C1 500m, em que já contabiliza dois títulos do Mundial, não é olímpica. As eliminatórias começam nesta sexta.


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